Sábado, Julho 31, 2021
Ansiedade e Depressão

Sai ansiedade, sai

Muitas vezes, me pergunto como seria a minha vida, se eu não tivesse ansiedade. Talvez economizasse tempo (e dinheiro), se contar as vezes que volto para trás para verificar se tranquei a porta de casa, ou se desliguei os aquecedores. Quando estou perto de casa, e só tenho de subir as escadas para saciar esta minha mania, tudo corre bem. Mas e quando estou longe, e me lembro que não me lembro se fechei a porta da garagem?

vão assaltar a casa, e a culpa é minha! E se o cão foge? Vai correr por aí e vai ser atropelado por um carro. Eu sinto… Será que enchi o prato da água para ele? E comida? Não me lembro se deitei hoje, ou ontem…

O dia fica estragado. Passo o tempo a pensar o que poderá estar a acontecer de mal devido aos meus  desleixos. A concentração diminui, e começo a entrar num estado de confusão.

As noites nem sempre são calmas. O meu cérebro parece despertar na hora em que o corpo quer dormir. Por muito cansada que esteja, os pensamentos aceleram no caminho das preocupações. Começo a pensar sobre o que fiz, de bem e de mal, e sobre o que tenho para fazer amanhã. Decido concentrar-me para “limpar a mente” e começar a relaxar para entrar no sono, mas há qualquer coisa ali no quarto que começa a incomodar-me. Normalmente é aquela luzinha minúscula da televisão, ou as horas que aparecem na box. Levanto-me e desligo tudo. Viro-me para o lado, e fico irritada por me comportar desta forma. Afinal, sou adulta já, e devia ter controlo sobre isto. Começo a pensar se fechei o carro…

Talvez, sem ansiedade, conseguisse usufruir melhor da companhia das pessoas, sem estar a pensar no que tenho para fazer quando me despedir delas. Talvez não atropelasse as palavras quando estou a falar. A pressa é muita, e em dias de mais ansiedade, não consigo disfarça-la. As pessoas devem reparar, pelos meus suspiros, que estou apoquentada. Talvez interpretem que estou aborrecida por estar ali a ouvi-las, ou que não gosto da companhia delas, o que não é verdade (em alguns casos).

A ansiedade faz-me sentir cada batimento do meu coração. Sinto que tenho um festival de techno, dentro do peito. Um ritmo rápido e descompassado. Muitas vezes, penso que estou a morrer. Fico ainda mais aflita e tento respirar fundo para me acalmar. Resulta. Mas demoro muito tempo para me recompor. Vem um cansaço insuportável, característico de um pós treino intensivo de musculação.  E começo a considerar se vale a pena sair de casa hoje…

“ e se me acontece isto na rua?”

Muitas vezes fico por casa. Obrigo-me a sair pelos assuntos profissionais ou familiares de extrema urgência. Caso contrário, deixo-me estar pela minha zona de conforto. O que comprova que tudo não passa de um estado emocional em erupção. Não penso. Em casa, quem nos socorrerá quando estivermos com o ritmo cardíaco a 200bpm? Na rua, alguém chamaria uma ambulância, se precisássemos de ajuda. (Obviamente depois de um directo para o facebook)

A ansiedade instalou-se no meu corpo, pior do que um vírus. E muitas vezes, como qualquer bom sintomático, vou perguntar ao Dr. Google.

Dor no peito, cansaço e tonturas refere uma lista de diagnósticos cardíacos, o que me faz pesquisar ainda mais sintomas das respectivas patologias. Dor no peito, falta de ar, dor no braço, náuseas… tudo sugere enfarte. Começo a sentir o pulso a acelerar. E volto a ficar vulnerável.

Sinto-me kamikaze. Em vez de plantar camomilas, cultivo stress em canteiros.

A ansiedade é um tornado de emoções, que nos vem derrubar a casa. Uma casa apertada, que de tantos pensamentos, não cabe dentro dela própria. Quer explodir, sair dali e respirar, com pressa de chegar ao amanhã.

A ansiedade é muito mais do que aquilo que se pensa ou se explica. A ansiedade, por quem a sente, é um estado de alerta permanente.

Quando penso se fechei as janelas, e desliguei o fogão. A ansiedade interpela-me: Tens certeza? Pensa melhor.

Quando penso que, finalmente, posso relaxar em frente ao mar. Lá vem ela sussurrar-me: Será que está tudo bem com a família? Algum acidente, doença… E se ficarem doentes, como vai ser?

Quando tento dormir, ela deita do meu lado: Acho que fizeste um figura ridícula no trabalho. Todos estão a pensar mal de ti. Erraste. Devias pensar sobre isso.

Quando tento organizar a minha agenda semanal, ela grita-me: Tens de fazer tudo hoje! Não podes deixar assuntos pendentes. E se amanhã ou depois não conseguires fazer isto? – e continua a gritar e a gritar. E eu, já a transpirar das mãos e com o coração acelerado, sento-me no sofá e rendo-me ao cansaço. Já não suporto ouvi-la mais. Fecho os olhos, e penso que não sou capaz de fazer uma simples tarefa. E assim, de olhos fechados, deixo-me dormir, num sono fora de horas, com a falsa certeza de que, quando acordar, organizarei a minha agenda com calma.

 

 

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