Sábado, Julho 31, 2021
Ansiedade e Depressão

Direito à tristeza

 

Deixem-me estar triste, é um direito meu! Preciso de falar com a minha tristeza, e perceber o que a despertou. Preciso de falar comigo, muito mais do que preciso de falar com outras pessoas, quando estou neste estado. E, se gosto de estar neste estado? Claro que não. A tristeza é como uma pedra pesada que se instala no centro do peito, de modo, a roubar-nos o ar. É dolorosa. Quantas vezes tentei respirar fundo, e sentia que não entrava ar suficiente. Não acho que a tristeza tenha um lado bom, como nos diz a psicologia. Afinal, quem gosta de passar os dias a sentir que tem um caroço de pêssego preso na garganta? Mas a tristeza é uma reação imediata à circunstância, que é preciso identificar. Não devemos desvalorizar este estado, que nos pode levar a outros mais dolorosos ainda, como depressivos ou simplesmente apáticos, se é que posso dissociar estes conceitos um do outro. 

Portanto, há muito que desliguei o  botão automático “deixa isso para lá”,  e meti a mão na massa.  Explorei-me. Não podia evitar mais um problema que, volta e meia, lá me batia à porta. 

Com respeito por este estado, investiguei-me, e descobri a resiliência. 

A possibilidade de tomar decisões perante as minhas emoções, de modo a superar a tensão que estas me possam causar. Percebi que é inevitável sentir o que quer que seja, e o erro que é negar o acesso consciente aos sentimentos/emoções, mas também percebi a importância de equacionar o que sinto, em fases mais susceptíveis da minha vida. 

Então tapo os ouvidos quando começa o “Precisas é de te distrair, e vais ver que passa”. Muito me irrita. Pois tudo o que o meu cérebro interpreta resume-se a um grande sentido de IRresponsabilidade. Desculpem-me os gurus apologistas do “foca no positivo”, mas eu não posso ter pensamento positivo, quando estou na merda e tenho conflitos internos para resolver. Não posso varrer o que sinto. Já basta o pó que varro para debaixo do tapete, quando me aparecem visitas inesperadas. 

A tristeza merece ser tratada com dignidade, e não difamada pelos bares nocturnos, em copos de vodka rasca.

Já me isolei. Já me desfiz. Mas, hoje, até parece que tudo foi necessário para o meu desenvolvimento pessoal, seja lá o que isto quer dizer no dicionário.

Não queria voltar a passar pelo mesmo, no entanto, ainda bem que aconteceu. E que já passou.

Agora, que já sei lidar com ela, e lhe respeito os direitos, reconheço-lhe o valor. O valor que me deixa quando vai embora. Vejo-a apenas como um mensageiro que me vem alertar que alguma coisa está errada e carece da minha intervenção. Como tal, está claro que tenho de a receber bem. No entanto, dizer-lhe para se ir embora, caso não tenha modos e comece a extravasar, pois está na hora de receber outras visitas.

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