Terça-feira, Maio 11, 2021
Corpo livre

Gorda – ressignificação – e pressão estética.

Cresci numa cidade pequena, em que ser gorda era um problema. Desde pequena que vivia atormentada com o facto de ter uma estrutura óssea larga, e umas coxinhas que roçavam uma na outra. Tinha 10 anos, quando quis fazer a minha primeira dieta, facto que hoje considero preocupante na cabeça de alguém que devia pensar apenas em legos e barbies. A família dos meus pais foi a porta de entrada para uma baixa auto estima e consequentes insatisfações com o meu corpo (já vos disse que não falo com nenhum deles?). As minhas primas eram magras e as minhas tias também. Eu era a que tinha de comer pouco, ou de fazer ginástica, a baleia, ou obesa que se arrastava. É importante salientar que eu era apenas uma criança “redondinha”, bem longe da obesidade, e isso levou-me a ponderar termos de comparação.

Sofri bastante com o meu corpo, durante anos. E porque ele era feio ou doente? Não! Porque vivia em constante pressão estética. Fazia dietas radicais, sem sucesso. Sentia-me fraca e revoltada por não conseguir ser magra, enfim.

Finalmente amadureci e percebi que estava tudo bem com o meu corpo, até conhecer o conceito Plus size. Ai agora que estou em paz com o meu corpo, é que me vêm dizer que eu fui apenas um modelo fancy? Eu fui gorda! (“e ainda és”- dizem as invejosas).

Plus size não está certo! O termo é gorda/o! 

Ser gordo é uma característica como ser magro, logo não tem de ser eufemizado. Assim como querer ser magra, ser gorda também pode ser uma opção. E nem venham com o típico discurso de mulher frustrada, de que nenhuma gorda é feliz com excesso de peso, pois esse tipo de argumento é mais estúpido do que comer macacos do nariz.

Ser gorda não significa ser doente. E estudem o IMC, antes de considerarem definições fundamentadas no mesmo.

Ser gorda não pode continuar a ser motivo de lucro para as indústrias “seja magra” ou “tenha um corpo de sonho”. Corpo de sonho é um corpo saudável, suas burras! Muito menos ser lucro para as youtubers, que partilham as dietas com intuito de promover marcas que auxiliam no emagrecimento.

O que é ser magra? O que é ser gorda? O que é o corpo perfeito?

A mentalidade actual tem vindo a dar uns passos pequenos, no tocante à aceitação do corpo e liberdade estética, contudo, parece-me ainda insuficiente.

Espero mais correntes de #bodypositive entre homens e mulheres, por forma a eliminar os padrões de beleza que se enraizaram no nosso espelho.

 

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