Domingo, Outubro 17, 2021
Lifestyle

BASTA BASTA BASTA

31 dias e 8 mulheres mortas. Entrámos há poucos dias em 2019, mas sinto que estamos cada vez mais a regredir.

Na óptica de quem, volta e meia, vê os programas da manhã, facilmente pergunta porque é que a situação chegou a este ponto final? Isto é, na maioria dos casos, o homem certamente tem vindo a demonstrar comportamentos dúbios ou agressivos. E a mulher certamente ja reparou que a pessoa escolhida para ficar ao seu lado não é,  propriamente, flor que se cheire. Outra pergunta, também na mesma óptica é: A mulher denunciou? Separou-se? A mulher teve apoio? Foi ouvida? Foi protegida? Que acontece a este homem em caso de denúncia?

Ora então:

A mulher pode ter denunciado ou não. Quantas não ficam caladas por medo, vergonha e falta de recursos para abandonarem o homem que ajuda a pagar contas. A verdade é difícil de aceitar, mas parece-me importante ter em conta estes factores, quando decidem julgar o comportamento da vítima.

Toda a gente sabe que a lei, na óptica de quem não entende nada do assunto, dá oportunidade ao réu, em caso de dúvida, de ser absolvido. Isto, já o caso presente em tribunal. Em caso de culpa, a probabilidade de este ser condenado a pena suspensa é bastante elevada.

Vou então calçar os sapatos de uma vítima “padrão normal com denúncia”. Imaginemos que esta vítima tem um emprego em que ganha o salário mínimo, ou até está desempregada. Tem dois filhos pequenos. Já denunciou várias vezes, e por falta de provas, a queixa não tem desenvolvimento. O companheiro volta normalmente a deitar-se na cama com a vítima. Esta fica, portanto, desprotegida, de uma pessoa que pratica agressões físicas e psicológicas contra ela. Esta vítima, sentindo que as autoridades nada podem fazer, terá assim tanta vontade de o enraivecer ainda mais, levando-o a tribunal? Hum…

Porque é que a vítima não se separa? Não foge para casa de amigos ou familiares?

Pergunto: A vítima tem amigos? O perfil típico de um agressor envolve estratégias de isolamento da vítima. Não lhe convém que esta tenha amigos ou amigas, ou alguém que lhe preste cuidados no caso de ela pensar em abandoná-lo. O agressor, por norma, sente-se mais seguro quando a vítima é dependente dele de alguma forma.

Pergunto também: E os filhos? Quem ajudará uma mãe a cuidar, urgentemente, dos filhos?

A vítima é ouvida, como qualquer um de nós que apresente uma queixa ou desabafa com alguém. Mas as  ações? São poucas.

Tanto por parte do apoio à vítima como por parte de outros anónimos que tomem conhecimento desta situação. Existe ainda a desculpa de consciência “entre marido e mulher não se mete a colher”. E isso transforma um simples ouvinte em cúmplice do agressor.

As mulheres têm uma crença, ensinada pela Disney, que devem comportar-se como princesas e esperar que o príncipe venha salva-las em cima de um cavalo. No entanto, quando no lugar do príncipe vem um cavalo cheio de força para dar coices, há que tomar medidas e enviá-lo de volta para o estábulo.

Irrita-me que, em 2019, ainda existam mulheres que considerem os “ciúmes” do companheiro uma prova de sentimento positivo.

Nota: 

F.da-se! Tantas lutas e manifestações, tantas guerras pelos direito da mulher, e não concluem que ciúme não significa gostar? Ciúme significa receio que outros afectos/atenções não sejam exclusivamente para nós. Significa também inveja. Porra! Em que parte do cérebro feminino há espaço para equacionar que “quer-me só para ele” é um pensamento saudável? Podia enumerar infinitos exemplos, mas deixo este momento de reflexão.

Atenção! 

Referia a mulher como vítima, tendo em conta o género de vítimas no passado mês. No entanto, existe violência doméstica praticada contra homens e, muitas vezes, por formas mais maquiavélicas. E estes, tendo em conta o estigma social, muitas vezes sofrem calados.

Por fim, quero referir este último caso de que se tem conhecimento.

Uma mulher, 26 anos, mãe de dois filhos de 3 e 6 anos, foi morta pelo ex companheiro por ciúmes. A vítima estava grávida. 

A irmã que vivia no mesmo prédio, ouviu barulhos de madrugada, mas não percebeu a fatalidade do que estava a acontecer. O filho pequeno encontrou a mãe numa poça de sangue, morta com uma faca. 

Este monstro não matou uma mulher. Acabou  também com a vida de 2 crianças que ficaram sem mãe, de um bebé que nunca existirá, e de toda a família que ficará para sempre com esta dor. 

Gritem!

Corram!

Fujam!

Mas não entreguem a vossa vida a alguém capaz de acabar com ela. 


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