Terça-feira, Maio 11, 2021
Lifestyle

Em 10, 9, 8…

 

Tenho três meses para atingir 12 objectivos que estipulei, à pressa, quando comi as 12 passas, na passagem de ano. E agora?  Esta seria a minha preocupação, há uns cinco anos atrás. Mas, entretanto, dei a volta ao assunto.

Desde pequenina que sigo a tradição das passas à meia noite. Fui ensinada a pedir doze desejos, beber um golinho de champagne (sem entornar), e meter dozes passas na boca, de uma vez só. Obviamente que, entre a contagem decrescente do anúncio da Super Bock e o “vai buscar as taças, que está quase na hora”, a minha preocupação dava prioridade à questão “como meter doze passas na boca, sem engasgar?”. Os desejos vão-se rápido. Lembro-me que pedia saúde, sempre em primeiro lugar. Um outro desejo, era dinheiro, e o terceiro era amor. A típica tríade. O resto era referente a soluções urgentes, como passar nos testes de matemática ou perder dez quilos em duas semanas, etc.

Ao longo do tempo, fui percebendo que eu estava a receber os meus primeiros três desejos da lista, quase todos os dias. Como tal, comecei a pensar se não seria justo eu participar activamente nesta concretização. Trabalhar na minha própria concepção de desejos, tendo em conta a generosidade da vida.

Aos vinte e cinco anos tudo mudou.

Continuei a comer as passas, à meia noite, por uma questão tradicional. Mas os desejos eram outros. E cada uva-passa carregava em si doze objectivos. Sim, 144 objectivos (12×12), por ano. O primeiro continuou a ser referente à saúde, mas em vez de ser apenas “Quero ter uma saúde de ferro”, tornou-se no compromisso com novos hábitos alimentares, deixar de fumar, fazer exames de rotina, praticar exercício físico, experimentar meditação e técnicas de relaxamento, equacionar as emoções (especialmente as de stress), deixar de ter pre-ocupações com o futuro, aprender a respirar fundo em situações susceptíveis a desequilíbrios, proporcionar-me umas massagens depois de uma semana de trabalho, etc. Na uva-passa do dinheiro, apliquei a mesma teoria, sempre focada nesse objectivo. Então os doze compromissos seriam sempre em torno da questão “como posso fazer mais dinheiro, este ano? Que projectos tenho de desenvolver para fazer x dinheiro?“. O amor igual (Como posso ter mais amor?),  e assim sucessivamente.

A minha vida tornou-se melhor. Mais preenchida. Mais rica, independentemente da conta bancária. 

Duas uvas-passas, por exemplo, são referentes à cultura, se é que posso falar assim. “Quero cultivar o meu conhecimento.” Então o objectivo é a leitura obrigatória de doze livros, sejam lá de que autor/escritor forem. Ver doze filmes, dozes espectáculos, e por aí adiante.

Já referi anteriormente que o meu “ano novo” é algures por Setembro/Outubro, quando começam a cair as primeiras folhas das árvores, aquelas típicas de Outono. No entanto, como tenho esta tradição enraizada no espírito natalício, dou-lhe algum uso.

E agora que falo nisto, deu uma vontade de saltar para Dezembro. Eu lá me compreendo…

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