Domingo, Outubro 17, 2021
Lifestyle

Feminismo e essas coisas

Preciso de falar sobre isto. Aturem-me!

Estou cansada de ouvir mulheres a queixarem-se do machismo, e depois julgarem a miúda que passa no outro lado da rua, com um vestido colado ao corpo, à luz do dia. Porque é que a mulher tem esta tendência estúpida de falar mal de outra mulher? Normalmente, vocês bem sabem, sem motivo aparente. Aliás, a aparência pode ser o principal motivo, sim.

É sabido que, as mulheres são as principais ditadoras do padrão de beleza. Incrível. Tanto dizem que devemos aceitar o corpo como ele é, como enviam um sms para a prima a dizer o quão gorda está a amiga do amigo da amiga. Actualmente, sinto mesmo que a mulher é que impõe regras a outras mulheres, e isso deixa-me chateada.

E agora todas as mulheres dizem que são feministas (é instangrammamente obrigatório), mesmo sem terem um conhecimento razoável do movimento. Essas mulheres que se dizem feministas, são aquelas que apontam o dedo à miga do namorado, porque esta usa roupa de quenga. Estas mulheres, idiotizadas, denotam ter um baixo conhecimento sobre a causa que defendem. Os argumentos são superficiais. Entendem que o feminismo é lutar pelo direito ao beijo na boca no meio da pista da discoteca, a dois homens ao mesmo tempo, sem ser chamada de oferecida. Algumas destas mulheres idiotizadas, sentem também necessidade de sair à rua com calções que deixam sair parte das nádegas, prontas para bofetear o primeiro homem que ficar a olhar para os seus glúteos. Pergunto-me se isto será assédio. A sério. Julguem-me quanto quiserem, mas eu estou-me a cagar se os homens olham para mim ou não, quando passo na rua. E não estou a falar de mandar piropos ou entrar dentro do nosso metro quadrado, sem a nossa autorização, não. Estou mesmo a falar do olhar. Pois tenho visto muita indignação e injúrias contra os homens, por estes apenas olharem (obviamente sem ser aquele olhar de quem nos quer esventrar). Que maldade. O meu pai olha para mulheres bonitas, o meu namorado também. E agora? Nós também olhamos, especialmente, se for um metro e noventa de músculo definido. (Quem nunca?). Somos as primeiras a olhar para a mulher de glúteos redondos e empinados, que acabou de entrar no café. É preciso assumir isto, ok?

Mas voltando ao ponto da questão, espanta-me que essas mulheres que se dizem pela livre vontade da mulher, sejam as primeiras a condenar a mulher do lado. Sou a única a pensar isto? Se eu aparecer no café, ao sábado a noite, de fato de treino e cara lavada, lá vem uma querida:

-Está tudo bem? Porque não te arranjaste? Estás pálida e com olheiras, toma o meu corrector e o gloss, para disfarçar isso.

Os homens, pelo menos, pensam, mas não dizem. Quer dizer, nem sei se pensam. Sei apenas que não dizem (Excepto os homens efeminados, que tem um desejo súbito em usar maquilhagem e pompons, mas o ego não deixa). E é aqui que quero chegar. Se lutamos tanto para nos protegermos enquanto mulheres, porque, paralelamente, há tanta censura entre o sexo feminino? Se é gorda ou magra, ou baixa ou alta, ou tem um namorado rico ou pobre, ou faz ou não a depilação, são problemas de cada uma.

Como sabem, (e não me canso de partilhar o meu fantasma interno) sempre me levaram a pensar que eu era uma mulher com uma imagem bem distante do aceitável. E quem me meteu isso na cabeça, além dos homens medíocres com quem me cruzei? As mulheres. A minha mãe, que o fez sem intenção  e sem noção do impacto que teria em mim, as minhas tias, primas e amigas, sendo estas últimas umas atrasadas mentais (isto soube bem). E hoje, quando confronto as mulheres que costumam estar à minha volta, noto que há sempre um cuidado acrescido quando falam de outras amigas, à minha frente. Então, amigas, cá vai: Quando vocês disserem “Eu até nem quero falar muito sobre ela”, aproveitem a falta de vontade, e não falem mesmo.

As mulheres e homens são fundamentalmente diferentes. Ponto final. Mas as mulheres também são todas diferentes, umas das outras. E tem todo o direito em ser diferente. Assim como os homens não são todos iguais. (Quer dizer…)

Quando pensarem em repreender a vossa amiga, que se está a marimbar para a celulite ou para as calorias do abacate, tentem canalizar a vossa frustração para as manifestações dos direitos de igualdade.  É que, muito me espanta, não ver confusão em torno do ladies night nas discotecas. Então nós não pagamos porquê? Não somos assim tão incapazes, ao ponto de não fazer dinheiro suficiente para gastar numa noite de copos. E as bebidas de borla? Qual é o objectivo? Embebedarem-nas, porque assim são presas mais fáceis? Não estou a ver fundamento aqui. Vamos lá abolir esta simpatia, e pagar o mesmo que os homens pagam. Que falta de igualdade!

 

Acho que esta versão do feminismo, seguida maioritariamente por mulheres idiotizadas, desfoca os principais objectivos da causa. O feminismo não pode passar por direito ao pêlo ou a mamilos colados na t-shirt branca. O feminismo foi criado sim para igualizar os géneros e promover um papel activo da mulher na sociedade, tendo em conta o contexto histórico, dominado, indiscutivelmente, pelo sexo masculino. A mulher foi feita para o que ela quiser ser, sim. E a luta começa precisamente aqui, e é por aqui que ela deve continuar. No entanto, acho que os esforços deste movimento devem focar nos verdadeiros problemas inerentes a uma mentalidade retrógrada como é, ainda, a nossa. Não é por uma mulher querer estar em casa a cuidar da família, que é sofrida ou mal tratada, se for uma opção dela. Assim como, é uma opção da mulher querer focar na sua carreira profissional e não constituir família. Ambas podem ser feministas, e ambas podem ter um papel activo na sociedade. O conceito exige uma liberdade de decisão para a mulher fazer da vida dela, aquilo que ela quiser.

 

Em conclusão, não é motivo para um girl power mais democrático?

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