Terça-feira, Maio 11, 2021
Lifestyle

Já fui traída, mas o corno é ele

Quem já foi traída, põe a mão no ar!

Daquilo que conheço, fui traída duas vezes. Na primeira, ele era ainda um mini homem e trocou-me pela menina de cabelos loiros e encaracolados. Apanhei-os a trocar legos, atrás dos baloiços do infantário. Naquela altura não aceitei bem essa traição, pois continuei a dizer a toda a gente que ele era o meu namorado. Passámos momentos de grande cumplicidade, entre biberões e sestas da tarde. Fomos para turmas diferentes, quando entrámos para a escola primária, e esqueci-o com facilidade. A segunda traição foi outra história.

Na época em que eu acreditava em relacionamentos para sempre, apaixonei-me por um homem que veio a ser meu namorado, durante quase dois anos. Inicialmente éramos muito “um do outro”, falávamos e partilhávamos bastante, havia muito ciúme e (agora identifico) muito sentimento de posse. Caí no erro de achar engraçado a fase estúpida dos ciúmes. E porque digo cair no erro? Porque, para mim, ciúmes que ultrapassem o “que fofo”, são um sinal de que aquela relação tem tudo para dar errado. Não considero, como ouço dizer, que ciúmes significam que a pessoa gosta tanto de outra, ao ponto de ter uns ciúmes doentes quando ela está a dar um abraço a um amigo. Não considero que ciúmes fazem parte de relacionamentos saudáveis, e muito menos, considero certas as justificações como “quando gostas, tens ciúmes”. Sim, mas eu também tenho vontade de bofetear pessoas que dizem parvoíces, mas controlo-me. Então até que ponto, o ciúme é tão pesado para que as pessoas não o consigam suportar dentro da própria cabeça? É preciso equacionar os impulsos, e não ser apenas parvo. Não voto a favor de relacionamentos que tremem, quando o amorzinho vai jantar fora com a melhor amiga, ou quando a amorzinha sai com as amigas para uma noite de copos! Infelizmente, não me permiti ter esse voto, neste meu relacionamento passado.

Acontece que, eu aceitei que isso existisse na minha vida, sem saber bem o que estava a fazer. Os meus amigos foram ficando para trás, deixei de estar com eles, porque o namorado inseguro sentia-se desconfortável; deixei de sair à noite, porque segundo o namorado inseguro, eu era bonita, e todos os homens iam olhar para mim. Abandonei-me. E não restou nada de mim, no final da relação. Hoje, entendo bem os motivos. O namorado inseguro tentava isolar-me das pessoas, para que eu ficasse mais frágil ainda e fácil de controlar. Disto, a psicologia não tem dúvidas. Ele era, no fundo, um agressor, que se revelaria mais tarde.

Celebramos dezoito meses de namoro, e ele já andava a trocar fluídos com a colega de trabalho. (Permitam-me o recado que acho que devo dar: Mulheres, o namorado de outra mulher, só quer arranhar o vosso útero com preservativos, ok? Sugiro que dêem mais atenção ao vosso amor próprio, e deixem de acreditar  no vosso potencial de #gajaquepinamelhordoqueanamorada.) Digo-vos, sem qualquer raiva, que ela era uma mulher fisicamente desinteressante. E percebi, posteriormente, que era intelectualmente limitada. Já devem imaginar como me senti. Na minha cabeça, onde não encontrava respostas para o que se estava a passar, comecei a questionar tudo em mim. E bem, fiquei bastante debilitada, tendo em conta a nova aquisição dele.  Soube mais tarde, que aquilo teve prazo de poucas semanas. Previsível.

Disse-me que precisava de pensar. O clássico “o problema não és tu, sou eu”. Deixei ir. Mas sabia, dentro de mim, que iria para nunca mais voltar. O meu orgulho não iria aceitar, assim como o medo de ser novamente rejeitada. Fechei-me em casa, durante três dias, e chorei tudo o que tinha para chorar. Curiosamente, não tentei questionar o que tinha acontecido. Assumi que tinha perdido tempo com um homem pouco honesto, e estava na altura de seguir em frente. Mas nunca imaginei o caminho penoso, que iria começar a percorrer.

Sem amigas com quem pudesse falar mal dele, ou amigas para tomar um café. E, para evitar as lágrimas em frente aos meus pais, saía todos os dias de casa para a praia (foi no verão). Passava horas a apanhar sol e banhos de mar. Obrigava-me a caminhar por estradas desconhecidas, e a frequentar sítios novos. Estava sempre sozinha. Inscrevi-me em todos os cursos e workshops, disponíveis, perto de mim. Experimentei bodyboard e ostras. Comecei a fazer caminhadas matinais e a conectar-me novamente com o meu corpo. Então, não parei de procurar e de me perder. Pois foi aí, nessa busca, que me encontrei.

Hoje, entendo que eu estava à procura de alguma coisa que me preenchesse o vazio. O vazio que fica quando depositamos tudo o que temos naquela pessoa. Que erro! Um erro que me serviu de lição. Actualmente, sei que me tenho de uma forma muito completa, tenho o meu próprio caminho. E dentro de mim, o meu próprio porto de abrigo.

(o título pode parecer mal, mas chamar-lhe corno sabe-me bem)

6 thoughts on “Já fui traída, mas o corno é ele

  1. Infelizmente quem trai não pensa nas marcas que essa traição deixa na outra pessoa e que muitas vezes são feridas que custam a autoestima e levam anos a recuperar. E pior do que isso é o sentimento de culpa que a pessoa que foi traída carrega muitas vezes consigo, a tentar perceber o que fez de errado e onde é que falhou para ter deixado as coisas chegarem àquele ponto… Até perceber que teve o azar de andar com uma besta egoísta, são precisas muitas horas de lágrimas e bastante sofrimento.

  2. Acaba por ser uma lição de vida. O que vem a seguir será sempre fruto de aprendermos bem a lição. Há quem não aprenda ou quem aprenda tão bem que descobre muita coisa que não sabia existir, seja em si seja nos outros. Beijocas.

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