Sábado, Julho 31, 2021
Lifestyle

Mulheres reais, onde estão vocês?

 

Usei parte das minhas férias, para ver vídeos (supostamente inspiradores), de digital influencers. Edições cativantes, produtos de iluminação por todo o lado, rostos admiravelmente definidos, com conteúdo bastante explicito, de quem tem algo para mostrar.

Deitei as mãos à cabeça.

Em menos de dez anos, a forma como olhamos para um blog mudou drasticamente. E isso é bom ou mau?

Fotografar comida e publicar nas redes sociais, seria apenas estúpido, há dez anos atrás. Assim como tirar fotografias em frente ao espelho, e revelar o tipo de maquilhagem ou marca das calças que estávamos a usar, colocar-nos-ia numa posição social pouco favorecida. Actualmente, vejo milhares de vídeos categorizados como “lifestyle”, que não passam de partilha de produtos de beleza. E até aí, tudo bem (talvez nem tudo esteja tão bem não). O problema é que, paralelamente, temos as mesmas pessoas a sugerir amor e aceitação pela nosso corpo ou rosto, de forma a optimizar a nossa personalidade ou estilo. Mas o que vejo? Centenas de fotografias com o vestido que a loja x patrocinou. Recebidos que loja x que enviou.

(E, por favor, variem, pelo menos, no estilo. Sejam góticas ou hippies. Emo, nerds ou punks. Não sejam todas iguais!)

Desde quando as bloggers deixaram de mostrar o lado real, para se tornarem modelos fotográficos? Sim, simples modelos pagas pelas empresas. Mas o que mais incomoda é que mostram um slogan falso, de quem apoia a individualidade e liberdade de escolha da própria imagem. No entanto, alimentam as massas.

A maior parte das bloggers, tendo em conta o número de visualizações, são apenas a ponte entre a marca e os potenciais clientes: os seguidores. Assumam isso, ok? Para quê contratar agências e ter trabalhos burocráticos, se podem apenas enviar, pelo correio, uma box com os produtos seleccionados, e esperar que tenham a visibilidade pretendida? Eu usaria esta estratégia de marketing, se fosse uma empresa.

Os blogs deixaram de ser uma porta de entrada para a vida real, de qualquer um de nós. Já não há sinceridade nas palavras nem no significado destas. Os blogs tornaram-se uma plataforma que vende marcas, apenas.

Mulheres reais, onde estão? 

Desde quando as mulheres se tornaram modelos fotográficos a promover marcas? Desde quando a mulher real perde duas horas por dia a pintar-se como uma macaca, antes do trabalho? (Por falar em maquilhagem, aproveito para deixar o meu apelo ás mulheres que desenham a sobrancelha, como se tivessem usado um marcador permanente daqueles de bico grosso.) Acreditam mesmo que isso acontece? E que estas mulheres passam a vida a beber cocktails, num terraço no Chiado?

Mais uma vez, como têm coragem de tentar passar a imagem de que o trabalho que têm com o blog ou youtube, é um trabalho livre e flexível, quando estão presos ás condições das parcerias?

Há muitos anos que sigo blogs, sobre diversos assuntos. A moda nunca me atraiu muito, confesso, pelo simples motivo de que, todos os blogs de moda tinham o mesmo tipo de roupa, os mesmos sapatos, as mesmas cores, e coleções das mesmas lojas. Trendy, what else? E sempre tentei zelar pelo meu gosto individual, longe das influencias do mercado. Tenho um estilo bastante intemporal, reconheço, especialmente por não ter paciência para seguir as tendências dos farrapos. Mas o assunto não é este.

Pergunto-me, desde quando as bloggers “lifestyle” se tornaram modelos fotográficos para outras mulheres seguirem? (Take 2)

Quais os critérios?

É muito simples.

Compras dos últimos saldos, uma objectiva e, por fim, publicar.

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