Sábado, Julho 31, 2021
Lifestyle

Não, ainda não tenho filhos.

E a decisão de ter filhos, não está na minha lista de objectivos. Desculpem lá, mães, que me bombardeiam com as fotos dos vossos rebentos com não sei quantos meses, os quais eu nunca sei identificar mesmo depois de ter visto cem mil poses deles. Os bebés são quase todos iguais. Aceitem isso. Apenas uma lupa encontrará diferenças. E não me parece que vá começar a andar com ferramentas na carteira, para conseguir distinguir o João que nasceu há cinco dias, do Manel que nasceu há dez. Além de nunca saber o que dizer quando me mostram o álbum deles na banheira, ou no quintal, ou a comer cerelac… Nunca sei! Que esperam ouvir

”Uau! Ele toma banho. Que incrível. Não sabia que os bebés tomavam banho. Agora percebo aquele cheirinho a Johnson’s Baby. E ele come? Que máximo! Como consegue engolir? Que inteligente! O teu bebé é mesmo especial.”

Não estou preparada para ter filhos. E vivo bem com essa minha falta de preparação. Como também vivo bem sem ter de justificar o porquê de não querer crias à minha volta, que dependem de mim para viver e gritam isso vinte e quatro horas por dia, em todo o lado, para quem as quiser ouvir. Não sei lidar com o choro dos bebés ou birras das crianças. Primeiro, porque não entendo o que dizem ou o que querem. Segundo, fico sempre a pensar que estão realmente em sofrimento, e apetece-me satisfazer-lhes o capricho, para resolver ali o assunto. O que deve contrariar as boas práticas educativas. Não sei lidar com as birras deles, nem com a falta de noção das mães. Evito sempre espaços públicos onde tem crianças com as mães (com os pais, só às vezes). A sério! Quem nunca ouviu um choro de um criança, e segundos depois ouviu os gritos da mãe? Ou umas bofetadas? Parte-me o coração. Não aguento. Apetece-me insultar a mãe: “se não tinha paciência para as birras, não os tivesse! É só uma criança, sua imbecil”. 

Outra coisa que me irrita é, o facto de partilharem tudo o que fazem com os bebés. Eu não quero saber se ele deixou de comer a sopa, e agora só come a pêra com banana. Nem me importa se já tem manha para conseguir o que quer. Se faz a última mija quando vocês lhe tiram a fralda, desculpem, mas é um problema vosso. Se o deixaram a chorar no quarto, porque estavam exaustas e já não aguentavam mais. Eu entendo isso, e nem sequer tenho filhos, mas é precisamente pelas coisas que me irritam, que fico a marinar a questão.

Não estou preparada para ser mãe. E não precisam especular que estou mal resolvida, ou tenho algum distúrbio emocional que não me deixa seguir o percurso natural da vida. Ser mãe, para mim, é uma responsabilidade permanentemente impreterível, sem dias de descanso. Não concordo com uma mãe que deixa o filho entregue aos avós, para sair com as amigas, todos os fins-de-semana. Nem com aquelas mães que passam um sábado inteiro a cuidarem de si, enquanto o filho está não sei onde, com não sei quem. Nem quero ser uma mãe que sujeita um filho aos seus atrasos ou ausências nas festas da escola, por motivos profissionais ou sociais. Não quero ser uma mãe que perde a paciência se o filho não agir como previsto, quando as coisas não estão a correr bem. Nem quero ser uma mãe que, para ser mulher ou esposa, deixa de acompanhar o desenvolvimento dos filhos. Não quero ser uma mãe com muitas outras coisas que acho errado. Mas também ainda não sei que mãe seria, ou que mãe deveria ser. Sei que, pelo menos, não ia andar a mostrar fotos dos meus filhos, de todas as formas e feitios, como se as outras pessoas quisessem muito ver.

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