Domingo, Outubro 17, 2021
Lifestyle

No Natal celebra-se o consumo?

Adoro esta época do ano.

E não é bem o dia de Natal, em si. É os dias que o antecedem. Mas sou assim em tudo na vida, ou quase tudo. Prefiro sempre os momentos intercalares, do que o próprio destino. E nesta época do ano, o destino é o Natal.

A noite da consoada é apenas um jantar em família, em que a mesa é mais farta do que o habitual. Inúmeras sobremesas à disposição, e só por isso, o jantar já vale a pena. Na minha família fazem-se rabanadas, formigos, bolinhos de jerimun, sonhos, e os chocolates aparecem em cada esquina da casa. Mas bom, deixarei as tradições gastronómicas para outro dia. No entanto, não posso esquecer que estas compras de mercearia pesam muito no orçamento familiar, para não falar no bacalhau. “Um bom bacalhau” como diz o senhor da mercearia onde a minha mãe faz as compras, que custa à volta de cem euros. (F#DA-SE) Ok, 17% do salário mínimo já está. Ainda dizem que o sushi é caro.

Mas se o Natal fosse apenas isto, já valia a pena. Pois muito me satisfaz a combinação de todos estes sabores, com o tempo gelado de Dezembro.

No entanto, o marketing não rende apenas com magia à volta da mesa, e induz-nos a criar mais magia à volta do pinheiro.

E quem não gosta de ter uma árvore contornada com sacos e embrulhos? Eu gosto. E não defendo a hipocrisia de julgarem quem comete excessos nesta altura, condenados pela falta de humanidade com os outros que não têm os mesmos recursos. Quanta moral. Porque ligam o consumismo nesta altura do ano, a um esquecimento generalizado das pessoas que precisam de ajuda? É que ouve-se sempre um “as pessoas a gastarem tanto dinheiro desnecessário no natal, e tanta gente sem ter nada para comer”. E isto é mais do que verdade, mas as pessoas não passam fome apenas em Dezembro, há fome todo o ano, ok? E para se manterem coerentes, teriam de deixar de fazer férias de Verão, deixarem de gastar meio salário em jantares de fins-de-semana, ou (eheh) ficarem em casa na passagem de ano e doarem o dinheiro da entrada nas quintas ou discotecas que frequentam, às famílias mais necessitadas. Faz sentido? O facto de ser consumista, tendo em conta também a sazonalidade do consumo, implica esquecer ou não ajudar outras pessoas que vivem, ou sobrevivem, sem tecto e em lutas diárias para arranjar o que comer? Hum…

Adiante,

o consumismo, assim como a fome, acontecem todos os dias do ano.

É normal que esta época concentre mais pessoas, tanto nas caixas de multibanco como dentro dos espaços comerciais, especialmente, no dia 24 (Valha-me Deus). No entanto, vejo a mesma confusão nos saldos, e em dias Black Friday.

Gasto algum dinheiro em presentes, é verdade. Perco-me com as luzes das árvores espalhadas pela cidade e pelas lojas, especialmente, por gostar tanto do frio e das roupas que ele exige. Gosto das músicas e (shame on me) não há um ano em que não veja (novamente) o Sozinho em Casa. O Kevin McCallister também faz parte da minha tradição de Natal, sim.

O calor da minha família é muito importante. As conversas descontraídas, o chocolate sem conta, o Vinho do Porto ou o Favaios. Os risos altos e desajeitados. A ansiedade muito madura do meu pai pela abertura presentes, dele e do cão (Sim, os meus cães recebem presentes embrulhados), a alegria no olhar da minha mãe por ter toda a família reunida à volta dela.   E o resto, cada um particular à sua maneira.

Todos são especiais nesta noite, e por todo este quadro, já vale a pena todo o consumo anterior, durante e até pós.

Boas compras. Boas intenções. Bom Natal. 

4 thoughts on “No Natal celebra-se o consumo?

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