Sábado, Julho 31, 2021
Lifestyle

O melhor da vida é sentir que estamos no lugar certo

Decidi mudar de vida! E estou cheia de dúvidas.

Não sinto culpa ou arrependimento, o que é mais engraçado. Aceito que me deixei levar por influências de todas as partes, menos pelas minhas. Parte de mim sempre quis o lado da comunicação, e o poder de chegar às pessoas. Outra parte, queria um caminho dedicado ao outro, fosse ele pelas pessoas ou animais.

Lembro-me de uma fase peculiar da minha infância, em que quis muito ser jornalista. Descobri que o jornalismo me daria oportunidade de comunicar com as pessoas e, ao mesmo tempo, escrever. Durante muito tempo escrevi o meu nome por cima do nome de outros jornalistas que assinavam os artigos dos jornais.

Comecei a escrever um diário em que, basicamente, relatava o meu dia e chamava nomes ofensivos às pessoas de quem eu não gostava, ou me irritavam. Mais tarde, quando recebi um dos cadernos mais bonitos da minha vida, comecei a escrever poemas. Quanto mais escrevia, mais inspiração tinha.

Sempre gostei dos temas “rejeitados” pelas pessoas. Escrevia sobre a morte e o processo de luto, embora nunca tivesse tido contacto próximo com este marco. Escrevi bastante sobre depressão e estados de convalescença. Os relacionamentos à minha volta serviam, muitas vezes, de assunto para o novo texto, especialmente os falhados. Mas, principalmente, eu escrevi sobre o desenvolvimento pessoal e a forma como esta obsessão nos pode levar para longe de quem nós, verdadeiramente, somos. E, ainda hoje, é este tema que me faz abrir o MacBook (cof cof) e juntar palavras.

Tive sempre vontade de seguir esta área criativa, mas a pressão social falou, evidentemente, mais alto. E não me culpo por ter deixado que a opinião dos outros me definisse os objectivos. Eu tinha apenas 18 anos… Que sabia eu com 18 anos, além de que daria uma boa escritora ou comunicadora? Entrei no 10ºano já com a difícil tarefa de escolher a área do secundário. Escolhi ciências sociais e humanas, e entretanto, decidi seguir psicologia. Ideia absurda que, genialmente, nunca aconteceu. (Ainda bem, eu deixaria os meus pacientes ainda mais perdidos).

Segui o meu percurso com excelentes notas a filosofia, história e literatura. As professoras de filosofia adoravam-me e convidaram-me, no último ano, para eu escrever um poema sobre o sentido da vida inexistente. Parece difícil mas, no fim, tive até aplausos.

Perdi-me quando terminei o secundário. Já estava em conflito e nem sabia. Cambeleei durante uns anos, e tropecei uns outros tantos. Vivi a vida até decidir entrar para o ensino superior e, quem me leu, já deve saber como eu odeio a faculdade.

O tempo foi passando, fui estudando e fui trabalhando. E uma lição que acho importante reter, é que nunca parei. Trabalhava ou estudava. Tenho mais de 50 formações no meu CV, e tenciono continuar a aumentar qualitativamente este número.  Nunca parei, independentemente da opinião dos outros, que se foi mantendo ao longo dos anos.

Muitas vezes, são as pessoas mais próximas que, na sua boa fé, nos desmotivam. “Isso não vai correr bem”; “Vais agora sair do emprego certo, para outro que pode correr mal”; “Então agora vais estudar com essa idade?”; “Então mas vais mudar de cidade, outra vez?”; “Não te metas em confusões”.

O resultado disso é uma explosão de emoções e conflitos que se geram dentro de nós. E lá vem a vontade de mandar tudo para o alto. Por muito que pareça estranho, quando sentimos esse gatilho a mexer, uma estranha satisfação começa a surgir.

Vou mudar de vida, sim, devido a essa explosão vulcânica que há muito vem dando sinais de alarme. Vou deixar projectos em stand by, e recomeçar outros. Há coisas que vou manter, outras vou dar por concluídas.

Irão surgir questões dos mais próximos, mas isto é um momento meu e, de momento, não estou disponível nem reúno condições para explicar decisões, que nem eu sei bem o que significam.

Neste momento, sei muito pouco do que poderá acontecer. Sei que estou cheia de dúvidas, mas cheia de vida. 

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