Domingo, Outubro 17, 2021
Lifestyle

O que os outros dizem, também é um problema nosso.

Durante a minha busca (falhada) pelo caminho do desenvolvimento pessoal, fui ouvindo, aqui e ali, que “o que os outros dizem, é problema deles”. Mas o problema disto, é quando os outros nos dizem, a nós, algo sobre nós.

Quem já me leu, sabe que a minha auto-estima foi brutalmente afectada pela opinião dos outros. Foi a opinião dos outros (nunca solicitada) que me levou a desfigurar a minha imagem no espelho. Logo, isso é um problema meu, e não deles, que nem tão pouco devem imaginar as dificuldades que me criaram, quando sugeriram, com boa intenção, que eu fizesse uma dieta para perder peso. Foi a opinião dos outros que me levou a entrar numa espiral de emoções negativas, pouco ou nada convenientes para os meus dezasseis anos, tornando a minha juventude contraproducente para a minha vida adulta. Tudo isto, é ainda hoje, um problema meu.

Fui percebendo, nas minhas pesquisas de autoconhecimento, que parte da minha vida foi passada a tentar agradar aos outros (já não é assim, não se iludam). E, fazendo esta análise, senti uma profunda compaixão pela pessoa que fui, quando anulava a minha opinião ou ação em prol da aprovação dos outros. Questionei bastante os motivos desta minha submissão, e a resposta não podia ser mais óbvia. O que os outros diziam sobre mim, provocava-me uma necessidade inequívoca de ser o que eu pensava que os outros queriam que eu fosse. Vangloriei-me muitas vezes, sem um pingo de verdade ou vergonha. Criei histórias de paixões e amores, para provar a quem me rodeava, que eu também era capaz de ser gostada. Foram tantas as vezes que menti sobre isso, que acabei por confundir parte da minha imaginação com a minha memória. Eu sentia que devia ser e ter mais, para os olhos dos outros. E assim o fingia. Vivi estranhamente susceptível à opinião dos outros. E isso, foi sem dúvida, um grande problema meu. Um problema que se foi mostrando a quem, ao contrário de mim, foi aprendendo lições de rua. Construí uma imagem frágil, aos olhos desses, insegura e fácil de manipular. Não saber dizer “não”, catalisou as maiores imperfeições da minha vida, que levei anos a corrigir. Tomei inúmeras e irreversíveis decisões de acordo com a expectativa dos outros. Se eu percebesse, que alguém próximo de mim, estaria à espera que eu abdicasse de um dia de praia para me enfiar dentro de uma sala de cinema, numa tarde de Agosto, eu própria iria comprar os bilhetes antes da pessoa fazer o convite. Ridículo, não parece? Mas eu estava emocionalmente dependente. Eu precisava de sentir que as pessoas me admiravam por qualquer motivo. E isso levou-me ao fundo do poço, tantas e tantas vezes. Actualmente, estou livre de qualquer sujeição. Destruí-me e reconstruí-me, vezes sem conta. Fui aprendendo a dar atenção, apenas a quem está na minha lista das pessoas confiáveis, que me conhecem e querem o meu bem, com opiniões que, tantas vezes, me ajudam a encontrar o caminho. E o resto, bom, quero que se fodam.

Hoje, sinto vontade de abraçar esta menina perdida, que demorou anos para se encontrar. E, se ela me quisesse ouvir, eu diria que a opinião dos outros que não nos interessam, é sim, um problema nosso, quando permitimos que nos digam o que pensam sobre nós. E o que pensam sobre nós (isto sim), é um problema desses outros, do qual nós não queremos saber.

4 thoughts on “O que os outros dizem, também é um problema nosso.

  1. Tudo faz parte dum caminho. A miúda que foste não te iria ouvir, porque não tinha aprendido ainda o que tu já sabes. As miúdas que fomos precisaram de tempo para serem felizes e muitas lições para chegarem a hoje mulheres fortes e resolvidas. Ninguém aprende por nós o que nós temos de saber aprender. Bjcas 🙂

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