Domingo, Outubro 17, 2021
Lifestyle

sair fora da área de conforto, é a minha melhor entrada.

Ao contrário da maioria das pessoas, eu relaxo quando o assunto é mudar. É como se vivesse constantemente numa panela de pressão, ansiosa por um cheiro novo que me faça seguir outro caminho. Exactamente o que o meu cão faz quando sente um cheirinho a frango do outro lado da rua, e estica a trela nessa direção. A verdade é precisamente essa: sinto-me um cão que se limita a seguir os instintos e vontades. Decidi permitir-me essa liberdade durante uns tempos. Tenho direito. Tenho também direito a viver a vida da forma que eu quero viver, e não da forma que os outros pensam que eu deveria fazê-lo. Por tanto, as sugestões ou preocupações dos outros em nada me apoquentam. Desculpem lá, se não dou ouvidos a ninguém. No fundo, faço-o com consciência e, confesso, alguma satisfação.

Nada me agrada mais do que abandonar assuntos, empregos, hobbies ou pessoas que ultrapassam o limite de tempo que lhes reservei. Se o emprego está a incomodar-me e me faz odiar o despertador pela manhã, a solução é meter mão na massa (ou na internet) e procurar um novo lugar que me traga mais benefícios. Se a amiga que, por muito que goste dela, me faz perder tempo com assuntos que em nada me acrescentam, lamentavelmente o meu tempo com ela será reduzido a um “liga-me apenas se precisares, e não me arrastes para um café, quando não sabes o que fazer com as horas livres”. Aborreço-me rápido. E gosto pouco de investir tempo em actividades que não me trazem satisfação imediata. Por isso desisti, temporariamente, do ginásio. Suava mais no balneário do que no remo. As dores sempre foram imensas no treino e pós treino, como tal, vou deixar o ginásio para a minha meia idade. Afinal, nos meus 50 anos, já saberei lidar melhor com a dorzinha aqui e ali. Decidi apostar na natação. E sei que fiz uma boa opção porque só saio da piscina quando a pele já está toda enrugada, e porque vejo o nadador salvador das piscinas a olhar para mim com ar reprovador, caso contrário, passaria lá um dia inteiro, se pudesse. Troquei a elíptica pelas caminhadas ao ar livre, e exercícios com o meu namorado. Entre levantamento de pesos e agachamentos, lá nos vamos mantendo na linha.

Sou movida, todos os dias, pela mudança e pela descoberta. No entanto, não gosto de acordar zangada com as minhas opções, e é inevitável não pensar que errei em determinados atalhos, mas no fundo, sei que tive de os trilhar para perceber o motivo das minhas decisões sempre tão mal explicadas.

Falam-me na dificuldade em sair da área de conforto, em abandonar hábitos ou rotinas, e arriscar novos projectos. Mas eu estou sempre pronta para me atirar (com pés e cabeça) para novos caminhos.

Quase sinto o cheiro da mudança. Um cheiro a fresco, limpo e leve. Hum hum.

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