Domingo, Outubro 17, 2021
Lifestyle

Só quero acabar o curso, e nunca mais voltar.

 

Detestei a minha experiência (que ainda está a decorrer) na faculdade.

Venderam-me os melhores anos da minha vida, amigos para sempre e namorados trajados. Comprei o kit de caloiro completo. Mas no fim, além dos juros, deixei uma dívida impagável com a minha sanidade mental.

Quando entrei para a faculdade, os professores deixaram de estar num patamar idolatrado. E confesso que, o motivo de estudo, já foi muitas vezes não querer ver mais um professor à frente, do que propriamente passar na cadeira com boa nota.O verbo aprender deu lugar ao verbo decorar power points, na véspera das frequências, e rezar para passar. Compreendo que, nem sempre será fácil dissociar a imagem de professores (alguns) interessados no nosso rendimento escolar, como aqueles que nos acompanharam até ao secundário, da realidade do ensino superior. E percebemos, desde cedo, que temos de começar a desenvolver habilidades sociais, para conseguir manter uma estreita ligação harmoniosa com os outros. Ou como diz a minha avó “para o professor não te tomar de ponta”.

Os intervalos são terríveis para quem não tem muitas ligações. Uma das ideias pré-faculdade, era o grupo de amigos que faria no primeiro semestre, e que me acompanharia para sempre. Quanta ilusão. O telemóvel torna-se o melhor amigo, e fingimos que estamos ocupados quando passa alguém conhecido. No meu caso, estou sempre ocupada, mas muitas vezes finjo que não vejo as pessoas. Não me identifico, a verdade é essa. Entrei mais tarde para a faculdade, quando supostamente deveria estar a terminar um curso de quatro anos. Aos 23, estava inscrita no ensino superior.  Mas não acho que isso tenha dificultado a minha ligação com os outros, até porque sempre tive pessoas prestáveis à minha volta.

O problema é a competição que se vai gerando na turma.

Nos últimos anos de faculdade, os professores deixam de ser aquela figura intocável (ainda mais do que no início). E comecei a olhar para eles, como apenas ex alunos, que foram convidados a leccionar. E isto, torna tudo diferente.

Deixei de confiar nos delegados de turma, que se deslumbram com o privilegiado contacto com os professores, e esquecem-se que são apenas a ponte entre a turma e estes. Delegados, vocês não vão arranjar emprego mais depressa do que outros, por terem esse cargo académico que, utopicamente, vos confere contactos. Apenas estão a facilitar a vida dos professores quando estes querem transmitir alguma mensagem, especialmente, as menos consensuais. Estão a ser, na linguagem mais crua, usados. Percebem a ideia?

Há sempre aquele grupo de raparigas fúteis. Normalmente têm um amigo efeminado entre elas. São boas alunas e fingem ser muito amigas, mas na verdade competem umas com as outras. No meu caso, é assim. Criam-se grupos nas redes sociais para fazer comentários (maldosos) sobre os outros elementos da turma. Enviam apenas alguns dos apontamentos que fizeram, com a desculpa de não terem passado tudo. Mentirosas. Acho que de todos, este é o pior grupo de pessoas com quem me cruzei na experiência académica. Os outros grupos pouco me incomodam, à excepção daqueles alunos que fazem de tudo para participar nas aulas, mesmo quando não tem conhecimento suficiente para tal. E quando digo tudo, incluo a parte de repetirem, por outras palavras, o que o professor acabou de dizer, para demonstrar que estiveram atentos. E o mais grave de tudo, aqueles idiotas que fazem questão de prejudicar o colega do lado. Porque fazem isto? Tendo em conta que não conseguem ser bons, tentam pertencer a um grupo de maus, para aparentar ser o melhor daquela categoria? Mas como eles não são maus, vocês fazem com que pareçam, é isso? A teoria da gordinha que se infiltra num grupo de obesas, para ser a mais elegante do grupo, não resulta muito bem na prática. Vocês nunca vão chegar a lado nenhum, sabem disso?

No meu percurso, aparentemente, existem mais pontos negativos do que positivos. Horas de estudo intensivo, que nem sempre são suficientes para atingir o 9,5. Olheiras resistentes a qualquer maquilhagem. Desilusões e discussões. Ansiedades. E por tudo isto, o ideal é esperar pelo fim para fazer o balanço. Valeu a pena? E agora, qual o caminho?

A verdade é que falta pouco para terminar e, sinceramente, não vou ter saudades disto.

One thought on “Só quero acabar o curso, e nunca mais voltar.

  1. Cometeste o sacrilégio de revelar a verdade para lá da vida boémia e divertida que qualquer um te conta da faculdade. Verdade nua e crua é mesmo a que tu escreveste. Faltou te apenas mencionar o rico versus classe média, mas se calhar essa realidade vivi mais eu que tu. Tinha um colega que chegava de Porsche. Enfim, memórias que não deixam saudade. São apenas mais uma lição de vida. Bjcas grandes 🙂

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