Sábado, Julho 31, 2021
Lifestyle

Somos todos Influencers?

Temos liberdade para tomar decisões mas, na prática, todas as decisões são, de alguma maneira, influenciadas pelo meio que nos circunda. 

O meu pequeno-almoço costumava ser uma chávena de café (abatanado, descobri o termo certo, há poucos dias atrás), e torradas com manteiga.  Mas, sem perceber, comecei a misturar iogurtes com frutos secos e vermelhos, logo pela manhã. O expresso vinha depois (e não estou a falar do autocarro). Se, durante anos tive sempre o mesmo ritual de manhã, o que se passou na minha cabeça para substituir o meu glúten com cafeína por probióticos e antioxidantes?

A minha tendência sempre foi influenciar os outros, mais do que ser influenciada. Mas a verdade, é que ninguém foge deste vírus, especialmente, os da Internet.

Já referi em textos antigos que o “show off” das redes sociais alterou a minha visão da vida. E na minha visão das coisas, alterou também a vida de toda a gente.

Além do stress do trabalho e do trânsito, há a pressão pelo tempo que pode não haver para tirar uma foto organizada da secretária (com o MacBook do escritório lá atrás), e fotos de caras indignadas por ser segunda-feira e terem saudades do fim-de-semana, por ser quarta-feira e ainda faltar metade da semana, ou por ser domingo e ter passado rápido.

O tempo, assim, passa a correr. E, sendo ele, um dos maiores influenciadores de sempre, especialmente no meu caso que não me permite dormir as horas desejadas, ainda há necessidade de nos prender a outras vidas que vivem em função de outras que vêem passar.

Somos todos clones.

Por muito que venham os underground dizer que não seguem as tendências, também eles têm os seus “ídolos” dentro desse meio. As feministas bravas não são tão diferentes assim por não raparem os pêlos da axila ou não usarem soutien debaixo da t-shirt branca, pois também estas, seguem alguém que faz exactamente a mesma coisa. As gordinhas que assumem a banha (acho muito bem) e promovem o amor pelo  plus size, também seguem alguém que faz exactamente a mesma coisa, seja na mesma cidade, seja do outro lado do mundo. E esta é uma das vantagens das redes sociais, unir pessoas com os mesmos gostos e ideias, que têm as mesmas lutas.

Os vegetarianos ou vegan (percebo pouco disto, confesso, embora inveje a coragem da causa), pertencem a um grupo de pessoas, que foram influenciadas umas pelas outras. E dentro deste meio, também há outras influências, por isso uns fazem mais pela causa e outros menos. Por exemplo, os defensores de animais (no meu caso, tendencialmente dos cães – julguem-me) que fazem quilómetros para resgatar um cão ou um cavalo, golfinhos ou pescada, também eles foram influenciados. Eu sou, todos os dias, influenciada pelos malfeitores que maltratam cães, a ir à luta por eles (E faço nada, ou quase nada pela causa, assumo). Adoptei o meu cão influenciada pelo aspecto terrível que ele tinha, quando a dona decidiu desistir dele. Se foi amor à primeira vista? Claro que não! Foi a situação que me influenciou. (Ainda bem)

Por isso defendo que nós somos influencers uns dos os outros. E no entanto, sou a primeira a dizer que não sigo tendências de moda ou maquilhagem, mas sigo outras mais “low profile” que certamente também servirá de influência a quem, como eu, gosta de ter roupas clássicas e intemporais no armário.

Tudo é influência. O tempo, pelo tempo que tem, e pela temperatura que traz consigo. O trabalho, o salário, as promoções, o Natal, as causas, os aniversários, a roupa elegante da blogger, a carteira da instagrammer, o cão abandonado, a saúde e a doença, etc.

E por isso, quando falamos da força que a personalidade deve ter,  é importante saber que temos de decidir aquilo por que queremos ser influenciados, e não ser levados pelas correntes que pensamos ser a alternativa certa e seguir caminhos que, essencialmente, não foram feitos para nós.

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