Sábado, Julho 31, 2021
Lifestyle

Terapia de quatro patas

Este texto é indicado, apenas, para pessoas que tratam os cães como se fossem filhos. O resto pode parar por aqui e ir ver a novela.

Sempre tive cães. Rafeiros e de raça. São cães, pronto. Ou, no meu caso, filhos.

Actualmente tenho um cão a viver comigo. Adoptei-o já crescido. Vivia com uma família que o comprou porque ele era de raça. E quem resiste a um cão com 500 gramas, em forma de urso? Após três anos, sem nunca saber o que era o conforto de uma caminha e uma manta, em noites de Inverno, chegou a minha casa. Um cão cheio de urina no pêlo, que teria tomado, no máximo, uns dez banhos ao longo da sua vida. Cheio de traumas, com os olhos cheios de sangue pisado, medos e desconfianças. Assim que lhe tocava para fazer um carinho (às vezes, ainda hoje) ele tremia. Facto revelador das palmadas que deve ter levado na sua antiga casa. Nem quero pensar.

Mas bom,

levanto-me vinte minutos mais cedo para ir passea-lo, e deito-me vinte minutos mais tarde para passear com ele, novamente. Se me custa? Óbvio! Mas é da minha responsabilidade faze-lo.

Em dias de confusão, até posso esquecer-me do pão para casa, mas não me esqueço de lhe deitar a comida que ele gosta mais, e os biscoitos quando merece (também quando não merece, mas usa daquele olhar). A tigela da água, está sempre à disposição, ao contrário das sugestões (não solicitadas) que me têm vindo a dar, para lhe retirar a água durante a noite, para evitar o xixi pela casa. Embora ele só faça xixi na rua, prefiro limpar urina de cão no tapete da cozinha, do que dormir a pensar que o animal pode ter sede. E é por estes detalhes, que assumo que ele (e todos) merece, sem dúvida, a mesma responsabilidade que uma mãe deve ter com um filho.

Nunca falho aos banhos quinzenais. Perco à volta de duas horas, à espera do banho e da tosquia. E então? Gasto o dinheiro de uns sapatos (da Seaside, talvez) só para ele andar limpo e cheiroso. Além disso, há comprimidos de desparasitação interna (três em três meses) e externa (todos os meses),  vacinas anuais e, volta e meia, lá vem um vómito ou uma diarreia que me fazem pegar nele e ir a correr para o veterinário. Brincadeira que quase me obriga a vender um rim para conseguir pagar a conta.

O meu cão dorme no meu quarto. Tem uma cama ao lado da minha.

Acorda-me todas as manhãs, às vezes antes do despertador. Se me irrita? Claro. Mas aquele rabo a abanar e o olhar de quem está feliz, atenua a vontade que tenho de lhe atirar com um chinelo.

O meu cão, dentro das suas necessidades, tem os mesmos direitos que um filho meu teria. Quanto aos deveres… talvez o meu filho tivesse mais do que o meu cão.

Mas agora o mais importante… 

Eu sempre vivi com muita ansiedade, como tenho partilhado ao longo do blog, mas sempre foi ligeira, digamos assim. No entanto, há cerca de quatro anos, a ansiedade acelerava-me os batimentos cardíacos e eu ficava a hiperventilar. Um terror constante. As mãos muitas vezes ficavam todas molhadas, e rapidamente me sentia nauseada. O culminar eram os pré ataques de pânico que me faziam temer qualquer saída de casa. Mas eu forçava-me a sair, no entanto, estava sempre sob pressão, com medo de ter um desses episódios no meio da rua, ou em locais onde ninguém pudesse socorrer. O stress era tal que, muitas vezes, eu esquecia-me da carteira, deixava as chaves dentro de casa, não trancava o carro e, o pior, eu não vivia o presente. Eu vivia as mil e uma possibilidades de todas as situações que aconteciam. Não me limitava a viver apenas o “agora” e toda a informação que o “agora” tinha.

Mas desde que ele cá chegou… 

Magia?

Ele é o único, no mundo, que me faz pensar apenas nele quando estou com ele. Verdade. Ele tem qualquer coisa especial que me faz esquecer todos os problemas, assim que o pego no colo, ou quando estamos a brincar. Acontece o mesmo com vocês? Posso estar de coração partido, mas se ele encostar a cabeça no meu colo, e eu começar a passar a mão no pêlo dele, tudo passa…

O meu cão é o meu melhor xanax. Quanta calma ele me traz. Quanto amor e aprendizagem.

Sinto que ele está contente por me ter como nova dona (ou então preferia ter ido para o canil, nunca vou saber), e eu estou muito grata por o ter encontrado.

Porquê esta publicação?

O meu cão foi comprado no Natal, talvez para oferecer ao filho mal educado ou à esposa caprichosa, para esta se entreter enquanto ele pinava a amante. Esses mesmo trataram o meu cãozinho como se fosse lixo, além da porrada que ele deve ter levado e dos cuidados médicos que precisou mas… fica caro.

Então, 

pessoas que compram animais bebés porque acham fofinho e coisa e assim. 

POR FAVOR, 

parem de fazer isso! 

Os cães são seres sensíveis (como diz a lei), e filhos (como digo eu), que merecem ser tratados com toda a dignidade e lealdade. Merecem uma família que esteja atenta às necessidades que cada bichinho tem, e disposta a pagar qualquer conta veterinária para que eles estejam bem e protegidos.

E como dizia o meu avô:

“Quem não gosta de animais, não pode ser boa gente”

4 thoughts on “Terapia de quatro patas

  1. Lindo simplesmente lindo tudo o que diz sobre o cão, para mim é exatamente igual, infelizmente estou no fundo, triste e completamente vazia pois em outubro perdi a minha companhia companheira meu amor incondicional minha princesa com apenas cinco aninhos até agora não consigo parar de pensar nela e todos dias choro por ela, realmente era a minha filha mais nova tinha nosso apelido era muito muito especial estou perdida pois não há nenhum que a substitua ela era a minha sombra o meu coração está completamente partido.
    Já me disseram para ter outra para tapar este enorme vazio mas não sei se consigo só de pensar choro ,não há nada que me alegre 💔💔🐾💔💔

    1. Olá Paula.
      Obrigada por partilhar os seus sentimentos. Espero, tão cedo, não voltar a sentir o mesmo, embora saiba que o tempo deles nem sempre é tão longo quanto gostaríamos.
      Está num processo de luto. E é natural sentir que, ao seguir essa sugestão, está a “substituir” a cadelinha por um outro cão, pois obviamente que ela será insubstituível. No entanto, permita-me dizer-lhe que, por experiência, esse vazio vai sendo preenchido, aos poucos, com a presença de um novo membro da família. 🙂

      E nada melhor de que honrar a vida de um animal, dando uma família a outro.

      Beijinhos

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