Domingo, Outubro 17, 2021
Lifestyle

Todos os pais deviam ser avaliados, antes de decidirem ter um filho.

Há uns dias atrás, estava eu sentada a tomar café (o meu delicioso café), e começei a ouvir o choro persistente de uma criança intercalado com o murmúrio de uma voz feminina, a mãe. Até aqui tudo normal. Ainda a saborear o meu café, ouvi o barulho de uma bofetada, que ecoou todo o espaço. Assustei-me, e a criança também, pois continuou a chorar. A mãe, já com um tom de voz típico de quem não tem vergonha na cara, voltou a bofetear a criança. E isto repetiu-se, sem exagerar, mais de cinco vezes.

Detesto fazer isto, mas tive de olhar para a mesa de onde vinha a confusão, atrás de mim. E não é que a mãe, uma senhora com as nails de gel muito bem cuidadas, e maquilhagem em dia (não venham já dizer que estou a implicar), me perguntou para onde estava eu a olhar.

Não teria respondido, para não deixar a criança mais perturbada ainda, mas não tenho paciência para isto. Então respondi: – Para o seu filho, que me parece bem comportado. Já a senhora…

O menino olhou para o chão, com nítida vontade de rir, embora só tivesse percebido que eu estava a recriminar a mãe, de alguma forma. O pai, que em momento algum se pronunciou, ainda agarrado ao telemóvel, disse: – Pára lá com isso Beatriz, dá-lhe o ovo.

Ela corou, ficou claramente irritada, e mandou o “chato” do filho ir pedir o Ovo Kinder, ao balcão.

Fiquei a pensar o que será daquele menino, aparentemente com 4, 5 anos, quando sair de casa dos pais para a escola, e começar a descobrir o mundo. Por tanto, defendo muito que todos os pais deviam passar por uns testes, antes de decidirem ter um bebé.

Questões simples como:

  • Estão conscientes de que o vosso filho pode carecer de cuidados especiais, na saúde e na doença? 

E estes cuidados especiais pertencem a um mundo complexo de diversas situações, tanto patológicas como particulares sem critérios suficientes para diagnóstico, mas que necessitam da atenção redobrada dos cuidadores. Quanto não sejam as birras que têm sempre tanto significado. Alguns colegas meus, levaram muitos tabefes da professora, por não copiarem para o caderno o que ela tinha escrito no quadro. Mais tarde, eles colegas perceberam que não conseguiam ver bem à distância e lá se resolveu o problema. Assim como outros levaram bofetadas da professora ou dos pais, por não conseguirem resolver as equações, e eram levados a pensar que eram burros, sendo que, havia alguma dificuldade de aprendizagem que eles não controlavam. E toda a gente devia saber o impacto que tem na vida adulta, quando a criança assume que é burrinha e que não tem capacidades para atingir os objectivos escolares.

  • Estão preparados para aceitar outras opções sexuais, diferentes das vossas? 

Hummm… Pois é, pais conservadores. Ouvir da boca de um filho homem que adorava ser mulher, deve soar-vos mal. Mas é uma realidade que a actualidade permite concretizar. Portanto, quando pensarem que podem controlar os filhos , devido à educação que lhes dão, voltem a pensar e a pensar novamente, pois estão errados.  Como se sentirão adolescentes e adultos descriminados pelos próprios pais? Adiante…

  • Têm consciência que, infelizmente neste país, a saúde e educação não são gratuitas, como fazem parecer que são? 

Não defendo a hipocrisia “onde comem 3, comem 4”. Julguem-me, mas já gastei fortunas aos meus pais em saúde e educação. Felizmente, a maior parte, em educação. Nem que vendesse a alma, conseguiria pagar as despesas que eles já tiveram comigo. Next!

  • Estão preparados para lidar com problemas de drogas, álcool, erros de adolescência e (tão importante) depressões? 

Ou o vosso filho vai ser só mais um rebelde que vai apanhar porrada para largar o vício? Ou então definem como preguiça os sintomas de um esgotamento, e resolvem o problema com porrada e castigos? Saibam que o vosso Bernardo, poderá usar o dinheiro da mesada para comprar saquinhos de pó (e não estou a falar do que têm em casa. Esse a empregada limpa).

  • Têm consciência que, por muito bom que vos pareça o vosso método de educação, os vossos filhos estarão expostos a milhares de influências fora de casa? 

Há amigos, internet, exploração do corpo ou exploração de talentos que não podem ser ignorados, e devem ser tema de conversa dentro de casa. Há que respeitar. Os filhos também pensam, muitas vezes, que os pais são atrasados mentais, logo, independentemente do que pensarem, devem respeitar, e neste caso, orientar também.

  • Estão preparados para serem pais, e não apenas mais um casal que tem filhos, como a maior parte dos vossos amigos? 

O que mais me irrita nas pessoas, é isto. Fazerem as coisas porque a sociedade assim lhes pede. Entendam uma merda:

Há pessoas que não são minimamente vocacionadas para serem pais! OK? 

  • Digam a tabuada do 2. (a mais importante de todas)

Se no 2×1 ficarem engasgados, seria automaticamente factor de exclusão.

 

Em conclusão:

Antes de pensarem que não tenho filhos, logo, não sei do que estou a falar. Têm razão.

No entanto, pais, como diz a expressão: “não é preciso meter as mãos no fogo, para saber que queima”. E, uma vez que há pais que adoram levar os filhos para sítios onde também estão adultos como eu, é fácil para mim analisar o que se passa, na maioria dos casos que vejo.

A vida obriga-nos a ter muita pressa, actualmente. É um facto. Acordo quase de madrugada, e mal pestanejo, já passa da hora de ir dormir. Por tanto, será uma boa decisão engravidar agora? Vou ter o tempo que quero para educar um futuro adulto com responsabilidades no mundo? Penso que não.

Educar alguém exige conhecimento por parte do educador, em toda a sua formação. Não é mandar os miúdos para os infantários, e por aí fora, com a expectativa de que ele absorva uma aprendizagem essencial ao seu desenvolvimento. Como alguém disse: “A educação vem de casa”. Da vossa casa.

O que quis dizer com isto? Ha pais que nunca deviam ter filhos, pelas duas interpretações a que esta frase está sujeita.

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