Terça-feira, Maio 11, 2021
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Tumor na mama. E agora?

Calma! Calma! Calma! Foi coisa que me faltou, quando senti um caroço (já bem crescido) na mama. Demorei trinta segundos, a partir do momento em que palpei a mama até começar a chorar. Comecei a imaginar o dia em que ia receber o diagnóstico, a conversa que teria com a família, e por fim, a minha morte. Voltei a por dois dedos, em cima da mama, devagarinho. Era uma bola do tamanho de uma azeitona, que se mexia de um lado para o outro. Esforcei-me para respirar fundo, mas o medo era tanto que comecei novamente a chorar. Será que é cancro? Será que é realmente grave? Será que vou morrer?

Decidi não contar a ninguém. O que, honestamente, não aconselho que se faça. É preciso escolher bem as pessoas com quem vamos partilhar esta notícia, pois estamos bastante vulneráveis, e qualquer palavra errada pode atirar connosco para o chão. Estou certa de que a minha mãe me tranquilizaria, mas não quis preocupa-la. No entanto, se partilhasse isto com o meu pai, um pessimista incurável, dir-me-ia que o ideal seria preparar-me para o pior. Daí a importância de escolher bem as pessoas, embora não tenham más intenções, podem levar-nos a pensar que já estamos condenados. E (lá vem o clichê) só quem passa por elas é que sabe, o quão importante é manter um pensamento positivo, mesmo que seja estupidamente incompatível com o prognóstico.

Sofri muito por antecipação, confesso. Mas havia sempre alguma coisa em mim, que me dizia que tudo ia ficar bem. O nosso cérebro tem mecanismos de defesa incríveis. Embora cheia de medo, eu tinha de enfrentar isto. Não tinha outra opção.

Fui fazer uma ecografia. Esperei cinco minutos deitada na marquesa, à espera da médica. Pouco empática, diga-se. Não teve a mínima vontade de me esclarecer ou confortar, depois de lhe colocar algumas questões, mesmo sendo visível a minha aflição.

Ela: – Parece-me que está com bastante ansiedade, e isso não ajuda! Tenha calma! Na consulta, o seu médico vai explicar-lhe o que se passa.

Eu: – Estou com ansiedade?! Claro que estou com ansiedade! Encontrei um caroço na mama! Quer dizer-me o que vê aí, ou vou ter de chamar alguém para me “tranquilizar”? – Não consegui ficar calada.

Ela: – É um tumor. Mas calma. É um fibroadenoma.

Não consegui responder, lembro-me que pensei “vai-te f.der mais a calma”, e comecei a chorar.

O diagnóstico já estava. O próximo passo seria contar aos meus pais e a outras pessoas. O meu peito abriu-se ainda mais. Percebi que a dor de receber o diagnóstico era muito menor do que a dor de contar aos pais. Fui caminhar para perto do mar. E dei comigo a acreditar que ia morrer. Até que… Mas que merda é essa do fibroadenoma?

O fibroadenoma é um tumor benigno da mama, de uns 2 a 5 cm de diâmetro, com uma consistência elástica e não aderente à pele, pelo que se pode deslocar com facilidade. Muito frequente, que não origina complicações. Sendo apenas necessário, normalmente, fazer revisões periódicas para controlar a sua evolução.

Respirei fundo e, finalmente, senti ar a entrar para os pulmões.

O termo cancro ou tumores da mama é um palavrão que assusta qualquer mulher, embora também tenha incidência no sexo masculino. E é impossível não pensar o pior. Basta olhar à volta, e conhecemos sempre alguém que já tenha tido, ou até esteja a passar por isso, neste momento. Há sempre alguém, foda-se.

Raramente fazia exames de rotina, confesso. Mas depois deste susto, marco exames todos os anos, especialmente ginecologia. Sei que não devemos viver a pensar que a nossa saúde pode declinar, a qualquer momento. Mas a verdade, é que melhor cura é sempre a prevenção.

Para quem se identificou com algum ponto desta história, deixo um grande beijo e abraço apertado.
Tudo vai ficar bem.

6 thoughts on “Tumor na mama. E agora?

  1. Maria, essa médica foi uma besta. Também tenho um desses para a troca mas tive a felicidade de ter um médico mais empático e prático que, mesmo eu não estando assustada, me explicou prontamente a simplicidade da coisa. E sim, exames de 6/6 meses ou 1 vez por ano. A carteira pode andar pela hora da morte mas, mais vale que essa hora não chegue na realidade! 😉
    Um beijinho

  2. Olá! Tenho um “amiguinho do peito” desses mas com 2,5×1,5mm… Quando o descobri tinha aí 19/20 anos. Caiu-me tudo e a minha mãe foi a única pessoa que soube até saber ao certo o que era. Custou muito. Aos 20 anos pus a vida toda em cheque. Fui ao médico de família e ele apalpou e explicou-me logo que era uma coisa benigna pois era “móvel”. Ainda assim até fazer a eco não estava 100% descansada…. entretanto apareceram mais dois mais pequenos mas já consigo olhar para a questão com mais tranquilidade!

  3. Por ser muito cuidadosa e ter antecedentes na família, fazia apalpação com frequência, até que senti algo diferente! Tentei sempre manter a calma, até receber o diagnóstico horas antes de assinar a escritura da minha primeira casa, três meses antes do dia mais feliz da minha vida, o meu casamento! Não era só um, eram 3 e um estava a obstruir as glândulas mamarias! Tentei manter sempre a calma, chorei muito e solucei muito mas tive bastante apoio e dois meses depois do casamento lá estava eu no bloco para serem removidos! Tive médicos excelentes que me acompanharam todos os minutos. Não é uma notícia fácil de se receber mas quando somos fortes, nada nos vence ☺️

    1. Fico contente que tudo tenha corrido bem 🙂
      As vezes, temos destes tropeços, mas só quem passa por eles, sabe a importância de manter a calma e a fé, seja lá no que for 🙂

      Beijinhos, Mariana.
      E obrigada por ter partilhado a sua história.

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